quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

MEMORIAL DE LEITURA

Segundo Paulo Freire “ A leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra”. Quando criança vivia na zona rural de uma cidade do interior, minha mãe antes do casamento e antes do meu nascimento era professora, parou de trabalhar para dedicar-se a casa e aos filhos e marido, meu pai também detinha o domínio da linguagem, devido a isso cresci em contato com um certo nível formal da língua. Sempre ouvi muitas histórias contadas por minha mãe, mas nunca tive contato com livros infantis. Aprendi a ler e a escrever com minha mãe no quintal da minha casa, no interior chamado de terreiro, ela desenhava as letras e palavras no chão usando uma varinha. Ao iniciar minha vida escolar já dominava a escrita e a leitura. Por isso quando comecei estudar na primeira série, na época, avancei logo pra segunda série, a qual pertencia a uma escola pluridoscente, quatro turmas em uma mesma sala com uma única professora, não havia muitos recursos, mas era um ambiente bem aconchegante.
Ao concluir o primário, conforme era chamado na época, precisamos nos mudar para a cidade, pois onde morava não havia escola de ensino fundamental II, muito menos transporte para ir estudar em outro lugar. Meus pais que sempre foram muito preocupados com a educação dos filhos, decidiram sair da roça para termos oportunidade de estudar, sendo assim fomos para João Neiva, ES.
No meu primeiro dia de aula na nova escola, lembro-me que fiquei estagnada, era tudo tão grande, tantos alunos, tantos professores, e foi nessa escola que conheci pela primeira vez na vida uma biblioteca, admirei-me diante de tantos livros, tanta coisa para ler, porém tudo parecia intocável, como se fosse uma grande exposição.
Naquele ano, a quinta série foi inovadora, diferente, mas infelizmente os professores nunca estimularam-me a ler. Foi na sexta série, que li meu primeiro livro indicado pelo professor “A ilha perdida” de Maria José Dupré. Viajei com aquele livro em minhas mãos e nunca mais esqueci aquela história. Foi o único livro que os professores do ginásio trabalharam, apesar de ter uma excelente biblioteca, mas a partir daquele momento passei a freqüentar a biblioteca e ter contato com a leitura. Uma vez resolvi até escrever um livro, peguei um caderno e iniciei minha criação, escrevi aproximadamente 50 páginas, mas acabei desistindo.
No segundo grau tive contato com a literatura brasileira com o livro A Moreninha, apaixonei-me. Amava fazer teatros, criar histórias, dramatizá-las, trabalhar com poesia. Nesta mesma época encontrei a professora que me ensinou os passos para escrever, mostrando a forma correta, analisava o modelo, escrevia, reescrevia, analisava novamente o texto. Foi uma excelente educadora.
Depois decidi fazer o curso de letras conhecendo e aprimorando ainda mais a leitura. É evidente que no decorrer dos anos, métodos e técnicas e pessoas se modificam, transformam-se e precisamos estar abertos para mudanças. Hoje sou mestranda em ciências da educação e minha linha de pesquisa do mestrado e relacionada a leitura e por coincidência, participo do GESTAR que segue a mesma linha.

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